Identificados genes que predeterminam a diabetes

Foram identificados os genes mais importantes que predeterminam a forma mais comum de diabetes, divulgou, no domingo, a revista científica Nature.
Esta descoberta abre novas probabilidades terapêuticas e preventivas através do desenvolvimento de uma análise genética. «A dissecação do genoma da diabetes permite explicar cerca de 70 por cento da predisposição para contrair diabetes de tipo dois, a forma mais generalizada da diabetes», assegurou Phillipe Froguel, um dos autores do estudo.
Este trabalho resultou da colaboração de duas equipas, uma das quais dirigida por Froguel (equipa que inclui não só o Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) francês e o Instituto Pasteur de Lille, como também o Imperial College de Londres) e a outra orientada por Rob Sladek, da Universidade McGill, de Montreal (Canadá).
Segundo os investigadores, uma parte dos genes identificados, especificamente o transportador de zinco (SLC30A8), imprescindível à secreção de insulina pelo pâncreas, constituem um alvo terapêutico ideal para contender a doença.
Obesidade e diabetes
Por todo o mundo há mais de 200 milhões de diabéticos e este número quase duplicará até 2030, devido à epidemia da obesidade que afecta actualmente 1,1 mil milhões de pessoas, de entre as quais 150 milhões de crianças.
«Dentro de um a dois anos, teremos uma análise genética capaz de indicar o grau de risco de um adolescente que tenha um pouco de peso a mais e o pai ou a mãe diabéticos», esclareceu Froguel. Isto porque, a predisposição hereditária assume também um papel quando o peso aumenta.
Froguel esclarece ainda que esta predisposição genética, para o aumento de peso, poderá ajudar a mudar os hábitos do adolescente: «isso poderá motivá-lo a adaptar a alimentação, praticar desporto e, através da perda de peso, reduzir o risco de diabetes, que está na origem de doenças cardíacas e renais, de cegueira, de impotência e de amputações».
Chips de ADN…um recurso imprescindível
O aparecimento de técnicas de análise rápidas, com o recurso a chips de ADN (ácido desoxirribonucleico), permitiu a primeira exploração total da predisposição genética para a diabetes, de acordo com o CNRS.
O chip de ADN é uma pequena peça metálica (ou de plástico) de alguns centímetros quadrados, na qual estão gravadas meio milhão de variantes (mutações) genéticas, que diferenciam um indivíduo de outro, como a cor dos olhos. Depositando neste chip um pouco de ADN tirado do sangue, pode estudar-se todo o genoma de uma pessoa.
«Estas descobertas vão também permitir compreender melhor por que razão alguns cancros, como o do pâncreas, são mais frequentes nos obesos diabéticos», concluiu Phillipe Froguel à Lusa.

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