ONU poderá realizar cimeira mundial do clima, em 2009

De acordo com o jornal Público, uma possível cimeira mundial sobre as alterações climáticas, em 2009, poderá constituir um prazo limite para os Governos chegarem a um acordo sobre o novo tratado que irá substituir o Protocolo de Quioto, que terminará em 2012, como referiu o secretário-geral da Convenção Quadro da ONU para as alterações climáticas, Ban Ki-moon.

«O secretário-geral está a elevar o debate sobre as alterações climáticas para um nível de interesse totalmente novo», esclareceu Yvo De Boer, que mostrou satisfação pelas declarações de Ban Ki-moon, sobre o facto de estar a ponderar realizar um encontro de alto nível em Setembro do corrente ano, com o intuito de preparar terreno para uma cimeira em 2008 ou 2009.

Uma possível cimeira em 2009 poderá obrigar os negociadores a chegarem a um acordo sobre o pós-2012.

O Secretário-geral da ONU afirmou, numa entrevista ao “Financial Times” publicada na passada quarta-feira, que um possível encontro a alto nível, em Nova Iorque, em Setembro, é a «abordagem mais prática e realista». Se este encontro, realizado à margem da Assembleia-Geral da ONU, for bem sucedido, «poderá assim ser debatida a concretização de uma cimeira em 2008 ou 2009», acrescentou Ban Ki-moon.

Dois anos para alargar Quioto

Relativamente ao encontro dos ministros do Ambiente em Bali, em Dezembro, De Boer está na expectativa que seja possível alcançar um acordo sobre o início de dois anos de negociações para alargar Quioto, com a finalidade de incluir os Estados Unidos e ainda países em desenvolvimento como a China, Índia ou mesmo o Brasil.

A negociação do Protocolo de Quioto, que teve a duração de dois anos, de 1995 a 1997, antevê a redução numa média de 5,2 por cento das emissões de gases com efeito de estufa em 35 países industrializados até 2008-2012. Contudo, em 2001, a rejeição dos Estados Unidos enfraqueceu Quioto.

Relatórios preocupantes da ONU

As preocupações ambientais continuam a estar na ordem do dia e são já vários os investigadores que querem saber quais as regulamentações internacionais a longo-prazo de redução de emissões, com o intuito de poderem orientar os investimentos em vários sectores, desde centrais a carvão aos aviões.

A respeito deste assunto, De Boer evocou alguns relatórios preocupantes da ONU este ano, que prevêem a subida do nível do mar; a propagação de doenças; bem como o aumento da frequência de inundações e vagas de calor, problemas estes que poderão fomentar a acção. Realçou ainda que a China e a África do Sul estão já a discutir o que poderão fazer para moderar as alterações climáticas.

~ por Telma Pinto Ferreira em Abril 13, 2007.

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