Estudo avança que tratamento hormonal aumenta o risco de cancro nos ovários

Segundo a informação avançada pela Lusa, e tendo em conta um estudo realizado, as mulheres em menopausa sob tratamento hormonal de substituição (THS), há mais de cinco anos, correm o risco de contrair cancro do ovário. O estudo, divulgado pela revista médica The Lancet, incidiu sobre cerca de 950.000 mulheres em menopausa, que foram seguidas individualmente no Reino Unido, durante cinco a sete anos em média.
As conclusões deste estudo revelaram o aparecimento de um cancro do ovário suplementar em 2.500 mulheres que estiveram sob o THS durante cinco anos, e também uma morte suplementar, devido a esse cancro, em 3.300 mulheres na mesma situação. Contudo, não foi encontrado nenhum risco acrescido em mulheres que seguiram este tipo de tratamento da menopausa no passado e que eventualmente foi interrompido.
De entre as quase um milhão de mulheres em menopausa incluídas no estudo, 30 por cento seguiam o THS, 20 por cento seguiram-no no passado e 50 por cento nunca o seguiram. O facto é que, durante os anos em que foram acompanhadas pelo grupo Million Women Study (MWS) britânico, recrutadas entre 1996 e 2001, foram diagnosticados 2.273 cancros, de entre os quais 1.591 foram mortais. A frequência com que surgiam foi mais elevada entre as mulheres que estavam envolvidas no THS e aumentou com a duração do tratamento.
Desta forma, a taxa de incidência do cancro do ovário passou de 2,2 por mil mulheres, que nunca tomaram THS, para 2,6 por mil mulheres sob o tratamento, havendo assim um aumento do risco relativo de cerca de 20 por cento. Por sua vez, a taxa de mortalidade por cancro do ovário passou de 1,3 por mil não utilizadoras de THS para 1,6 por mil sob THS há cinco anos. O tipo de tratamento hormonal teve pouca influência nos resultados, bem como a tomada anterior de contraceptivos orais ou mesmo a prática do tabagismo.
A metodologia utilizada «levanta sérias reservas»
O presidente da Sociedade Portuguesa de Menopausa (SPM), Mário de Sousa, desvalorizou à Lusa os resultados desde estudo, uma vez que considera que a metodologia utilizada, para levar a cabo o estudo, «levanta sérias dúvidas».
O tratamento hormonal de substituição foi classificado de «cancerígeno», em 2005, pelo Centro Internacional de Investigação do Cancro (a agência para o cancro da Organização Mundial de Saúde – OMS).
No entanto, o risco acrescido de cancro da mama foi já confirmado por vários estudos realizados, sendo que um tratamento hormonal de substituição à base de unicamente estrogénios implica um risco acrescido de cancro do endométrio (revestimento interior do útero).

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