Festivais, colecção de verão

O verão era, para muitos, sinónimo de praia. Até há bem pouco tempo, a ligação do verão com a música limitava-se a levar consigo o leitor de cassetes, útil para tostar a pele com um fundo sonoro agradável. Actualmente, o panorama é diferente e não se fala em verão sem falar em festivais, naturalmente denominados como “festivais de verão”. De todas as idades, de todas as partes de Portugal (e não só), reúnem-se multidões. A ideia é só uma. Abandonar-se à música e ao ambiente tão peculiar destes eventos. Já o formato, esse, varia de festival para festival, pelo que cada um irá acabar por encontrar o “seu” festival.

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Para melhor percebermos esse fenómeno cultural, o Ardina entrou em contacto com o Simão Freitas, um dos responsáveis pelo site “Festivaispt.org”, site de maior renome e qualificação nesta área. Assim, confirma que “o festival de verão é um conceito já muito familiar em todos os públicos” mas refere que a mudança é mais recente do que se pode pensar. “Há cerca de 3 anos atrás, isso não acontecia, os festivais de verão eram locais para os amantes da música. Hoje em dia já não é assim, os festivais tornaram-se uma moda”. Moda essa que explica pelo enorme “boom” de festivais dos últimos anos. Efectivamente, surgem novos festivais todos os anos e desaparecem outros, com curtos períodos de vida. A concorrência obriga a que os cartazes sejam escolhidos com base em modas e gostos generalizados, apostando-se mais na quantidade de visitantes do que propriamente na qualidade do cartaz. “O problema está em haver demasiado festivais”, explica Simão, “Não é posível ter grandes cartazes em todos eles, e é muito difícil agradar a gregos e a troianos.” Já para isso, certos festivais, como Paredes de Coura, têm apostado num estilo próprio e num género de música única. Assim, os festivais temáticos têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos.

 

Esses ditos adeptos, “festivaleiros”, como se apelidam, também têm mudado com o tempo. Com a evolução do conceito de festival como evento festivo (com cada vez mais actividades para além da música), afirma o habituado que se perde “também pela cada vez maior falta de ‘espírito festivaleiro’”, espírito esse que implica as longas deslocações até ao local do festival (sobretudo para as pessoas do norte que, a nível de localização dos festivais e consequentes custos para lá chegar, estão em clara desvantagem em relação aos lisboetas, por exemplo), o acampamento, o desligar do “eu” socialmente inserido para, durante uma semana, aderir por completo à filosofia intríseca à comunidade festivaleira.

 

Ao deparar-se com o desaparecimento da “raça”, o site FestivaisPT tem sido um óptimo “ponto de encontro” para todos os adeptos. “Temos crescido imenso e duplicado as visitas todos os meses”. Segundo Simão, esta imposição é natural, na medida em que foram os primeiros a aparecer. Para além disso, afirma tentar “inovar a cada ano que passa, com novas funcionalidades e incentivos à visita, participação e ajuda mútua”, esforço que lhe valeu a ele e a toda a equipa do site verificar um verdadeiro empenho de toda a “comunidade”.

 

Como “recompensa” para esta comunidade, o site FestivaisPT tem proposto diferentes passatempos, em parceria com diferentes empresas relacionadas com os festivais de verão. Explica Simão que há dois anos atrás começaram a propôr às promotoras dos eventos a cedência de passes para passatempos, com o objectivo de evoluir. Hoje em dia, tornou-se um hábito e são as próprias promotoras que muitas vezes os contactam, com informações para divulgarem. “Surgem também com frequência propostas de promotoras de eventos mais pequenos aos quais muitas vezes não podemos dar resposta simplesmente por não termos capacidade para tal, visto isto não ser um emprego e não termos tanto tempo como gostariamos para trabalhar neste projecto.”

 

E o tempo “sacrificado” no site é imenso. A equipa do site é reduzida, são poucos os elementos realmente ligados ao projecto. Pelo que, responsável pelo fórum, a parte vital do site, o jovem estudante admite que é um trabalho enorme. “Quando começou, a comunidade era pequena, mas foi crescendo exponencialmente, necessitando de cuidados redobrados à medida que o tempo ia passando.” Como responsavel, tem o dever de estar sempre atento a tudo o que se passa, corrigindo erros, promovendo o debate, criando novas formas de interagir com os utilizadores e estando sempre atento aos interesses do público em geral.

 

A moderação torna-se necessária, sobretudo na era da informação. “Os membros do fórum ajudam a procurar confirmações e divulgam-nas a todos. Isto faz com que o site e o fórum sejam uma referência no que toca a festivais.” Referência essa, até a nível de objecto de plágio. Pois, este ano verificou-se o aparecimento de vários novos sites dedicados ao tema. Sites que, não tendo a experiência nem a comunidade do FestivaisPT, foram limitando-se a copiar a informação, sem qualquer notificação das fontes, reclamando a exclusividade ou classificando a informação como sendo de primeira mão. “Há sempre quem se aproveite, inclusive sites com bem mais reconhecimento a nível nacional, como sites de revistas ou portais de notícias musicais online. Alguns abusaram, roubando literalmente o nosso material e disfarçando apenas o resultado final ao remover as nossas marcas”.

 

Apesar disto, o FestivaisPT mantém-se firme, pronto para cobrir os restantes festivais deste verão, preparando já algumas surpresas para o ano que vem, e esperando testemunhar a história dos festivais de verão por muitos anos.

 

 

 

 

~ por neiklot em Julho 23, 2007.

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